• Mariliane C.Caramão

De onde vêm seus hábitos e conceitos financeiros?

Atualizado: 27 de ago. de 2021

Que ter uma relação saudável com o dinheiro é importante ninguém tem dúvida, não é? Mas, por acaso, você lembra como aprendeu o que sabe sobre grana, de onde vêm seus hábitos e conceitos financeiros? Antes que comece a relembrar de conhecimentos adquiridos recentemente, dou uma dica: capacidades que desenvolvemos ainda na infância deram uma mãozinha.


 

À primeira vista pode soar estranho que um raciocínio infantil possa dar conta de tamanha responsabilidade em relação ao seu comportamento econômico. Mas fato é que o desejo de entender o ambiente e de interagir com as pessoas ao seu redor faz a criança buscar um sentido de causa e consequência para acomodar suas experiências.


Estudos do comportamento econômico infantil acontecem desde a década de 50. Eles buscam entender como as crianças são introduzidas nesse mundo e como elas o absorvem. Foi verificado, por exemplo, que mesmo as crianças entre 3 e 4 anos já entendem que o dinheiro está associado a comprar, porém compreendem mais como um tipo de ritual.


Outro estudo da Universidade de Cambridge, sobre a formação de hábitos e aprendizados na infância, identificou como torná-los mais positivos. As experiências concluem que a maioria dos hábitos e conceitos financeiros são construídos até os 7 anos de idade e destacou a importância do relacionamento familiar no processo.


A consultora financeira e escritora Cássia D'Áquino, que também é uma entusiasta das lições ainda nos primeiros anos de vida; esclarece que o modo como manejamo, hoje, nossa vida financeira foi construída a partir do que ouvimos, do que deixamos de ouvir, do que vimos ou deixamos de ver nossos pais fazerem ou dizerem a respeito do dinheiro. É direta: "Atitudes que funcionaram na infância e nos levaram a conseguir os resultados desejados foram, em boa parte, os responsáveis pela formação da mentalidade financeira que temos na vida adulta".


Na mesma linha, o best-seller O segredo da mente milionária, de T.Harv Eker, trata do condicionamento da mente no que envolve dinheiro. Para o autor, da infância que vem a compreensão sobre dinheiro. De lá também vêm as respostas automáticas que nos conduzem ao longo da vida financeira.


Para ele, toda criança é ensinada a pensar e agir no que diz respeito a dinheiro. Indo mais fundo, diz que o modelo financeiro de uma pessoa seria a combinação dos pensamentos, sentimentos e ações que partem lá da infância. As frases carregadas de crenças transmitidas às crianças permanecem no subconsciente durante vida adulta como parte desse condicionamento.


Identificou de onde vem alguns dos seus hábitos e conceitos financeiros?


Dada a importância da interpretação cognitiva infantil para a organização dos conceitos, os estudiosos sobre o comportamento econômico chamam a atenção para a urgência das primeiras ideias econômicas sobre dinheiro e mercadorias. De lá partem conceitos econômicos básicos (preços, oferta, demanda ou lucro) que sustentam outros mais complexos.


Todas as atividades econômicas vivenciadas contribuem para a formação de hábitos. Tanto as que possuem uma relação monetária (comprar, vender, trabalhar) quanto aquelas que não são monetarizadas, que não envolvem o uso direto do dinheiro (trocas, tarefas domésticas ou dar presentes).


Para finalizar, vou lembrar que na psicologia econômica, entendemos que são justamente os julgamentos automáticos, carregados das emoções e associações que comandam nossas decisões (adultas). Reformular tudo isso depois da infância não é como se partíssemos do zero; é necessário desaprender e ainda aprender com um grau de esforço muito maior.

Essas razões são suficientes para colocarmos a educação financeira e econômica como prioridade nas escolas e nas casas?

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